O interesse pela tecnologia e pela ciência veio no ginásio. Estudou engenharia inicialmente no Recife. Transferiu-se depois para São Paulo, onde se formou engenheiro eletricista. Em 1934, quando foi criada a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, Schenberg entrou para o curso de matemática (que pouco diferia do de física) e se formou na primeira turma, em 1936. Nesta mesma época foi fundado o departamento de física em São Paulo, com o professor convidado Gleb Wataghin, recém chegado da Itália. Foi ele quem orientou os primeiros trabalhos em física de três estudantes interessados nessa ciência, sendo um deles MÁRIO SCHENBERG.
Fez os seus primeiros trabalhos de astrofísica nos Estados Unidos de 1940 a 1942. Nesse período entrou em contato com Albert Einstein e desenvolveu com George Gamow o processo Urca, mecanismo de explosão das estrelas supernovas.
Elaborou ainda, com S. Chandrasekhar, o modelo estelar com núcleo isotôrmico, aplicável ao sol e estrelas semelhantes depois de terminada a produção de energia nuclear no centro da estrela. A partir daí, colaborou com muitos dos maiores físicos teóricos e experimentais contemporâneos.
Em 1953 foi nomeado diretor do Departamento de Física da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Ele convenceu o reitor Ulhoa Cintra, com grande resistência tanto dos físicos como dos matemáticos, a comprar o primeiro computador da USP, fomentando, assim, os cursos de computação daquela universidade. Alguns dos maiores físicos teóricos e experimentais brasileiros, como César Lattes, José Leite Lopes, Abrão de Moraes, Jaime Tiomno, Jean Meyer e muitos outros, foram seus alunos.
Durante a década de 1960 lecionou também no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas no Rio de Janeiro, tendo sido membro da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia de Ciências da América Latina, em Caracas. Em 1983, recebeu o Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, na área de física.
Mário Schenberg atuou com muitos cientistas laureados com o prêmio Nobel de física. Foi pioneiro em vários campos da física e da química, da astrofísica e da teoria das partículas elementares. É autor de 114 trabalhos sobre astrofísica, física teórica, física experimental, física matemática, análise funcional e geometria
É de grande importância ressaltar a sua atuação como político militante. Foi por duas vezes eleito deputado estadual: pelo partido comunista brasileiro na constituinte de 1946, e na legenda do partido trabalhista brasileiro em 1962.
Em 1946 logo após ter sido eleito, o partido comunista brasileiro foi considerado ilegal e seu mandato foi cassado permanecendo preso por 2 meses. Em 1962 não chegou nem mesmo a exercer o mandato, sendo barrado pela justiça eleitoral em conseqüência de informações contra ele, fornecidas pelo DOPS. Logo depois do golpe de 1964, Schenberg foi preso e permaneceu na prisão, até que teve uma crise de diabetes no cárcere, e foi transferido para um hospital.
Foi muito expressiva a solidariedade internacional e nacional ao professor Schenberg. As autoridades brasileiras receberam apelos e protestos de cientistas de vários países do mundo e de intelectuais de todo o Brasil. Devido a essas pressões os processos instaurados contra ele foram arquivados. Mesmo assim o período posterior foi bastante conturbado.
Mário Schenberg foi presidente da Sociedade Brasileira de Física, e membro do conselho dessa sociedade durante várias gestões. Sua ação se destacou na definição de uma política da comunidade de físicos contra o acordo nuclear Brasil-Alemanha para construção de Usinas Nucleares, pois tinha plena convicção de que no Brasil o reator nuclear não poderia competir de modo algum com a energia hidroelétrica.
O Professor Mário Schenberg
nos deixou em 1990. Mas os seus trabalhos, o seu modo de ser e a sua ideologia
ficarão eternamente nos corações dos amantes da Ciência.